A Temporalidade da consciência e o problema da eficácia causal da vontade em Nietzsche | Estudos Nietzsche
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A Temporalidade da consciência e o problema da eficácia causal da vontade em Nietzsche | A Temporalidade da consciência e o problema da eficácia causal da vontade em Nietzsche | Estudos Nietzsche

v. 5 n. 2 Jul./Dez. 2014 

DOI: 10.7213/estudosnietzsche.05.002.AO04
 
  A Temporalidade da consciência e o problema da eficácia causal da vontade em Nietzsche

The Temporality of Consciousness and the Problem of Will’s Causal Efficacy in Nietzsche

 William Mattioli 1
 
Resumo

Quando Nietzsche, no aforismo 4 de “Os quatro grandes erros” do Crepúsculo dos ídolos, diz que a representação da causa de um fenômeno chega à consciência somente após uma “inversão do tempo”, ele retoma e aprofunda, em um novo contexto, uma tese que já estava presente em suas reflexões de juventude sobre os processos perceptivos. Apesar do aforismo em questão se referir sobretudo à projeção de causas das impressões sensíveis no mundo externo, sua tese de base serve como suporte para uma de suas muitas críticas à assim chamada “moral das intenções”. Neste caso, é a representação consciente da causa interna de uma ação, isto é, a representação do motivo, que deve ser vista como um construto posterior, que é imaginado após a iniciação do ato. Desse modo, Nietzsche se propõe a desconstruir a crença na eficácia causal daquilo que identificamos como nossa vontade. O presente artigo discute essas teses de Nietzsche acerca da temporalidade da consciência intencional no quadro de sua psicologia moral, traçando um paralelo entre suas considerações e alguns resultados recentes da neurociência. O objetivo é compreender em que sentido ainda é possível falar em “liberdade” (como o faz o próprio Nietzsche) após uma crítica tão contundente à crença na causalidade da vontade.

Palavras-chave : Temporalidade. Consciência. Vontade. Epifenomenismo. Liberdade.
 
Abstract

When Nietzsche says, in the aphorism 4 of “The Four Great Errors” in Twilight of the Idols, that the representation of the cause of a phenomenon comes to consciousness only after a “reversal of time”, he resumes and deepens, in a new context, a thesis which was already present in his early reflections on the perceptual processes. Although the aphorism in question mainly refers to the projection of causes of sense impressions on the external world, its underlying thesis serves as a support for one of his many criticisms of the so-called “morality of intentions”. In this case, it is the conscious representation of the internal cause of an action, that is, the representation of the motive, which should be seen as a subsequent construct which is imagined after the initiation of the act. Thus, Nietzsche attempts to deconstruct the belief in the causal efficacy of what we identify as our will. This paper discusses his theses about the temporality of intentional consciousness within his moral psychology, drawing a parallel between his remarks and some recent results in neuroscience. The goal is to understand in what sense it is still possible to speak of “freedom” (as does Nietzsche himself) after a so sharp criticism of the belief in the causality of the will.

Keywords : Temporality. Consciousness. Epiphenomenism. Free will.

 

1 Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil, e-mail: william.mattioli@gmail.com


Recebido em 22/03/2015; Aceito em 02/04/2015.
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OAI-ID: oai:estudosnietzsche.pucpr.br:article/15309
link: http://www2.pucpr.br/reol/index.php/ESTUDOSNIETZSCHE?dd1=15309&dd99=view