Publicações do Irmão Clemente














 


Busca avançada

 

Imprimir     Enviar por e-mail Disponibilizado em 23/06/2008  

 

Novos papéis das universidades

10/01/2003 - GAZETA DO POVO
 

Construir uma filosofia de vida cristã, aproximar as salas de aula do mercado de trabalho, disseminar conhecimentos aliados à ética ao ensino com pesquisa são três papéis das universidades que inovam e desejam crescer na modernidade.

Diante das mudanças que estão ocorrendo no campo da ciência, da tecnologia, da economia e das profissões, as universidades precisam caminhar na linha de frente, expandir suas atividades comunitárias, modernizar laboratórios e processos de ensino e de aprendizagem, contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas e da sociedade. Mais ainda, é imprescindível ajudar a mocidade a desenvolver sua vocação profissional e realização pessoal.

Uma das alavancas que sustentará o século 21 será a capacidade de relacionamento regional e internacional. Como entidade de ponta na preservação da intelectualidade e da cultura, a nossa universidade está acelerando o processo de internacionalização e está atenta à valorização do passado, da história e da cultura dos povos.

Por sua vez, o alto índice de crianças e jovens que abandonam os bancos escolares é um dos maiores desafios a ser vencido na atualidade. A universidade pode contribuir e facilitar respostas para esta e para muitas outras questões da sociedade. Hoje, os problemas vão do consumismo, violência, uso e comércio de drogas, desemprego, desestruturação da família até o desrespeito a direitos humanos, devastação da natureza, fenômeno da globalização, divida externa, deslocamentos culturais, sociais e econômicos e tantos outros.

O ex-superior geral dos Maristas, irmão Benito Arbués Rubiol, sempre proclamava: “precisamos nos ajudar mais, acreditar na vida nova e no jovem, descobrir a verdade em todos os campos e níveis e oferecê-la aos seres humanos mais necessitados. Educação, saúde, comunicação e Evangelho precisam de mística, ação de fé e gente com coração e sentimentos solidários. Somos chamados com urgência a conhecer a realidade e começar a criar a globalização da solidariedade, alicerçada na justiça, fraternidade e humanismo.”

Comparativamente ao que era o Brasil no início do século XX, hoje o país é outro, mais rico, porém, proporcionalmente, com mais pobres também. Quem estuda em universidade tem obrigação moral de retribuir serviços e ajudar a sociedade. Isso é possível na medida em que gestores e professores difundem valores e estimulam a viver a solidariedade em relação aos mais pobres e excluídos.

Os princípios que fundamentam a educação marista que ministramos são permanentes, mas as formas de realizar o objetivo mudam de acordo com o tempo e lugar. Particularmente na PUC/PR, não medimos esforços para formar profissionais competentes, bons cristãos que assumam valores éticos e evangélicos, pessoas capazes de influir na vida pública, gestores e políticos responsáveis e honrados, por sua dignidade, práticas e vivência.

Ainda, como sempre diz Benito Arbués, ser intelectual não quer dizer ser agnóstico. A verdade não se contrapõe à razão, a fé, à ciência e a cultura. A realidade terrestre e fé se inter-relacionam em níveis diferentes de conhecimento, mas ambas têm uma origem comum, que é Deus da missão da Universidade Católica formar pessoas de coração solidário e com consciência social capazes de criar a cultura da solidariedade. Isso não significa rebaixar a qualidade da aprendizagem e preparação técnica e profissional.

Naturalmente, sem a busca permanente da qualidade, organização alguma tem razão de existir. Nenhuma instituição de ensino consegue ser melhor do que os seus educadores e administradores. A união de esforços, a modernização dos métodos pedagógicos e os valores cristãos humanistas são características que diferenciam as escolas. Visão abrangente, compromissada e sintonizada com a educação integral é outro aspecto que procuramos destacar na nossa universidade.

Palavras chave: Universidade Católica; Formação cristã; Universidade; Cidadania