Publicações do Irmão Clemente














 


Busca avançada

 

Imprimir     Enviar por e-mail Disponibilizado em 23/06/2008  

 

Competências e habilidades da liderança responsável

10/03/2003 - GAZETA DO POVO
 

Uma das maiores desgraças que pode ocorrer para a nossa época é frustrar a juventude que acredita nos gestores de organismos públicos e instituições privadas, e a de decepcionar, assim, a sociedade que nos sustenta e que deposita grande expectativa em nosso desempenho.

E, neste ponto, é bom não esquecermos que as responsabilidades da universidade são exatamente as mesmas dos seus dirigentes. A universidade, como rótulo, é mera abstração; o que é concreto, o que existe de fato, são as pessoas que a compõem.

Refletir sobre responsabilidades, não somente agora, mas a toda hora, faz bem porque as idéias inspiram e movem, efetivamente, as ações. É fundamental dar-se conta de como os conceitos de universidade, as idéias de liderança e de serviço podem ser combinadas na administração acadêmica e de como os gestores podem contribuir para o alcance dos objetivos institucionais de ensino, formação integral, pesquisa e extensão. Isso é válido tanto para a alta administração quanto para decanos, diretores de cursos e coordenadores de setores, e até para professores por entender melhor a universidade, a casa onde trabalham e a administração e, talvez, desejosos de um dia assumir, também eles, algum cargo de gestão.

Pessoalmente, considero-me, primeiro, um educador por vocação e escolha pessoal. Depois, um administrador, por convite e por obediência. Essa condição me move a usar este veículo de comunicação para apresentar aos gestores e à sociedade algumas considerações que julgo úteis e oportunas. Para aqueles que, numa oportunidade como esta, estão em busca de algum conselho prático para levar a bom termo as responsabilidades que estão assumindo e para lidar com uma realidade, talvez totalmente, nova no seu trabalho, ouso oferecer algumas recomendações.

São lições simples e despretensiosas, aprendidas no estudo, no ensino, na observação e na prática da administração acadêmica, que eu gostaria de repartir. Para os mais experientes, pode até parecer óbvio e sabido o que direi. Espero entretanto, que as nossas experiências, confirmem idênticas conclusões. E que, no seu íntimo, estejam dizendo: “É assim mesmo; o reitor tem razão.” Dos mais novos espero está reação. “O que o reitor está dizendo faz sentido; vou experimentar seguir os seus conselhos.”

São aspectos a serem levados em conta no exercício de seus mandatos como dirigentes acadêmicos. São considerações relativas à maneira de lidar com as tarefas diárias, sejam elas grandes ou pequenas, ao modo de tratar as pessoas e os segmentos da comunidade universitária – os professores, os estudantes, os funcionários, os seus colegas dirigentes e os mantenedores. Referem-se às habilidades, atitudes e qualidades que podem fazer a diferença entre o sucesso, maior ou menor, e mesmo o insucesso de um gestor acadêmico.

Assumir a coordenação de um setor oficial, público ou privado, a direção de um curso ou a direção de um centro universitário, não requer, unicamente, a disposição para o serviço. Exige-se, ainda, a capacidade de liderança. Os dirigentes estão a frente de grupos de trabalho, de equipes de profissionais, de turmas de alunos, enfim, de uma pequena comunidade de pessoas com objetivos comuns. Lá nas salas de aula e nos corredores do centro, lá no “chão da fábrica” onde de fato acontece a atividade fim da universidade, lá é que se espera uma presença de liderança. O exercício da liderança elemento essencial para o funcionamento de qualquer grupo humano, também da comunidade universitária que, além de tudo, é uma escola de liderança.

Os comandados de um dirigente acadêmico e a própria universidade que nele confia têm algumas expectativas naturais sobre ele. Esperam que seja autêntico, coerente e ético; seja honesto, sincero e leal para os seus companheiros; saiba ouvir e seja conciliador; tenha preocupação com os colegas e ajude-os a crescer; reparta as vitórias com os companheiros; tenha cabeça aberta e olhe para o futuro; seja competente, criativo e imaginativo; esteja disposto a tomar iniciativas e assumir responsabilidades, seja corajoso e determinado; não se importe com os desafios e não desanime; e demonstre equilíbrio emocional (maturidade).

Palavras chave: Gestão acadêmica; Gestor; Competência; Liderança