V Congresso ANPTECRE
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V Congresso ANPTECRE, v.5, 2015.

OS SISTEMAS DE CRENÇA MANIFESTOS NOS PROJETOS POLÍTICO-PEDAGÓGICOS DE ESCOLAS CONFESSIONAIS


Gleyds Silva Domingues

Os sistemas de crença refletem as lentes de interpretação que fundamentam o pensar e o agir de diferentes grupos sociais. Essas lentes de interpretação compreendem as visões de mundo que orientam o sentido de ser da realidade, isto é, o modo como homens e mulheres tecem argumentos e se posicionam em relação à vida. Este modo de argumentar pode ser manifesto no documento norteador da prática educativa a ser materializada na escola, ou seja, o projeto político-pedagógico. Neste documento tem-se registrado os fundamentos basilares que explicitam o sentido de ser humano inserido num contexto social. Não é por acaso que este documento, ainda, trata de questões pertinentes à missão e à visão da escola, o que acaba sendo determinante para se conhecer a finalidade da formação humana. Por este motivo, este artigo objetiva discutir a forma como os sistemas de crença se incorporam no projeto político-pedagógico de escolas confessionais, a partir da fundamentação basilar tecida sobre o ser humano, a aprendizagem, o conhecimento e a sociedade. Para tal intento, parte-se da análise dos projetos político-pedagógicos de escolas confessionais de cunho monoteísta. Inicia-se, aqui, um processo de investigação que pode resultar em novas demandas na área de religião e educação, uma vez que as dimensões em jogo são reveladoras de uma multiplicidade de arranjos culturais que se orquestram para dizer e significar a realidade, embora se tenha consciência das multiplicidades de sentidos gerados, mesmo que os discursos assumidos sigam uma linha de interpretação alicerçada num sistema de crença. Certo é que a busca traçada pode ser vista como o início de uma complexa discussão sobre os sistemas de crença e o fazer educativo voltados à formação humana. A trama agora tecida indica uma possibilidade de entender o sentido de ser da escola na realidade social e a coerência anunciada entre o discurso proferido e a prática efetivada no interior de escolas confessionais. Conclui-se, então, que nem sempre o discurso proferido é o praticado. Nem sempre o praticado é o resultado de uma ação consciente dos agentes educacionais envolvidos no processo de formação humana, mesmo que a evidência sobre o sentido de ser da escola esteja bem delineado e explicitado no projeto político-pedagógico.


Palavras-chave: Sistemas de crença ; Projeto político-pedagógico ; Formação humana.





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