V Congresso ANPTECRE

Apresentação

O V Congresso da ANPTECRE reuniu professores/as, pesquisadores/as e estudantes de Pós-Graduação do Brasil dedicados às Ciências da Religião e à Teologia. O evento divulgou e discutiu os trabalhos concluídos e em andamento nos diversos Programas da área de estudos da religião, de modo a motivar o crescimento desses domínios do saber no país e a aperfeiçoar os aspectos metodológicos e críticos de sua abordagem. O congresso se propôs consolidar e ampliar na ANPTECRE a prática de articulação dos debates acadêmicos em Sessões Temáticas, como embriões de futuros Grupos de Trabalho. Propõe-se enfim promover intercâmbio científico entre grupos de estudos e de pesquisa.

EM 2015 o congresso teve como tema Religião, Direitos Humanos e Laicidade, propondo-se a discutir esses conceitos, sua formação histórica e seu potencial mobilizador nas diversas configurações sociais, na construção de uma ética e na criação de instrumentos de proteção dos Direitos Fundamentais dos Seres Humanos em um Estado laico. O congresso aprofundou o debate sobre os desafios que persistem na sociedade contemporânea relativos á presença e convivência das diversas religiões. A religião teve e tem uma grande importância na história da vida do ser humano, interferindo nos valores, comportamentos, sentimentos, e inclusive nas normas que advêm do pensamento e das regras religiosas, apesar de muitos negarem isto. Desta forma, o evento pretendeu revisitar os conceitos acima propostos e esclarecer sua inter-relação.

Comissão Organizadora do V Congresso Nacional da ANTPECRE

GRUPOS DE TRABALHOS

GT 01 - RELIGIÃO E EDUCAÇÃO

Este GT organiza os estudos e pesquisas da relação entre educação, cultura e religião, campo este que se abre sistematicamente aos pesquisadores de Teologia e de Ciências da Religião, assim como de áreas afins. Com perspectiva interdisciplinar, sua intenção é compreender os diferentes processos de ensino e aprendizagem nos espaços escolarizados e comunitários. Esse núcleo abrange temas como ensino religioso, pastoral da educação, educação em diferentes espaços confessionais, diversidade, formação inicial e continuada, catequese, formação de lideranças para movimentos e estudo dos diferentes segmentos escolares, entre outros. Tais elementos estão relacionados à compreensão e à transformação das práticas e conduções da vida e políticas educacionais apresentadas como plataformas para a ordenação e a direção das relações da humanidade com seu entorno (natureza, transcendência, alteridade).

GT 02 - RELIGIÃO COMO TEXTO: LINGUAGENS E PRODUÇÃO DE SENTIDO

A religião é parte constitutiva das primeiras formas de expressão da cultura, presente em antigos sepultamentos adornados simbolicamente, nas estatuetas portáteis de deusas, nas pinturas rupestres, entre outras manifestações pré-históricas. Diferentes abordagens científicas concordam com o fato de que estas formas simbólicas religiosas estão intrinsecamente relacionadas com as primeiras articulações da linguagem. A parceria entre linguagem e religião é, portanto, fundamental para entender as implicações de uma em relação à outra e para compreender como a religião se manifesta como texto, estruturada e traduzida em muitas formas de linguagem em relação: ritos, símbolos, narrativas, cultura visual, entre outros. Esta ST pretende oferecer um fórum para a discussão de questões teóricas referentes ao papel dos símbolos, narrativas e sistemas religiosos na criação de sentido, sistemas comunicativos complexos e universos poéticos. Serão abordadas também análises de obras literárias, míticas, imagéticas, gestuais, em perspectiva da semiótica, da hermenêutica, da crítica literária, entre outras. A ST Religião como Texto: Linguagens e produção de sentido iniciou suas atividades no III Encontro da ANPTECRE, em 2011, onde organizou e promoveu a apresentação e o debate de mais de 20 comunicações científicas.

GT 03 – ESPIRITUALIDADES CONTEMPORÂNEAS, PLURALIDADE RELIGIOSA E DIÁLOGO

Diante do contexto culturalmente plural em que nos encontramos e que desafia as tradições religiosas, acreditamos estar frente a uma grande oportunidade para o diálogo entre as diversas religiões. Sem renegar ou desconhecer o que há de único e irrevogável em cada religião, trata-se de perceber, no convívio com a diversidade, o que é essencial em cada tradição e, portanto, de manifestar um dinamismo espiritual que está entre e para além das religiões. Incluem-se nessa espiritualidade aquelas expressões laicas e sem deus e o diálogo inter-religioso que elas todas proporcionam faz repensar o compromisso ético das religiões para com a paz mundial. A Sessão Temática sobre Espiritualidades Contemporâneas, Pluralidade Religiosa e Diálogo, está aberta ao debate de pesquisas sobre a aplicação da espiritualidade no cotidiano; aos estágios do desenvolvimento da experiência espiritual e a função da meditação, bem como sobre os desvios do comportamento supersticioso e do misticismo. Estuda a pluralidade religiosa atual e tendências de diálogo na contemporaneidade. Esperamos, com tais discussões, propor respostas para aqueles que negam qualquer validade da religião na sociedade contemporânea, e, talvez, o caminho para uma nova compreensão da religiosidade, que se contraponha ao flagrante fundamentalismo religioso de nossos dias. Essa ST, com foco nas Espiritualidades e no Diálogo, pretende subsidiar assim, teoricamente, as práticas de diálogo inter-religioso que vêm sendo ensaiadas com apoio dos Programas de Ciências da Religião e Teologia no Brasil, no sentido de verificar a plausibilidade de uma mística comum e transreligiosa para o nosso tempo de transformações axiais.

SESSÕES TEMÁTICAS

ST 01 DIÁLOGO ENTRE RELIGIÃO, ARTE E LITERATURA

O diálogo entre a literatura em especial, e a arte em geral, e a teologia ou, mais amplamente, entre as diversas formas de literatura e arte e o âmbito mais geral dos estudos sobre a religião, produziu nas últimas três décadas, no Brasil, numerosos eventos acadêmicos e grande número de publicações, bem como o trabalho realizado na América Latina, tem seu projeto para o interesse do continente europeu. Esse campo de conhecimento, cunhado de Teopoética, não somente cresceu em número de pesquisadores, como tem buscado cada vez mais as bases epistemológicas e metodológicas de seu próprio fazer. Do ponto de vista dos estudos da religião, incluindo as teologias, pressupõe-se que o universo particular das tradições religiosas e das espiritualidades não se estabelece fora de uma história concreta; e que o fenômeno religioso pode ser mais bem compreendido quando situado no conjunto das outras manifestações culturais, incluindo as expressões do mundo da arte. Do outro polo, trata-se de afirmar o papel possível da literatura e da crítica literária de propiciar, ao lado do conhecimento teórico-científico oferecido pela teologia e pelas ciências da religião, certa interpretação do fato religioso. A abordagem da religião, pelas vias da leitura crítica de suas representações no âmbito da literatura em específico e da arte em geral propicia a percepção do caráter de construção, móvel e ambígua, dos discursos do saber sobre o fenômeno religioso. Sob esses pressupostos, o seminário temático propõe-se a apresentar uma “radiografia” geral do debate sobre as relações entre religião, arte e literatura, no Brasil: pesquisadores, produção acadêmica, modelos de leitura, questões metodológicas, avaliação da produção acadêmica sobre o tema.

ST 02 CULTURA VISUAL E RELIGIÃO

Essa sessão temática tem por objetivo reunir pesquisas que explorem a mútua relação entre cultura visual e religião. Para tanto, acolhe trabalhos que tratem das diversas formas pelas quais a cultura visual ganha expressão (ícones, fotografia, gravura, escultura, artes plásticas, cinema, etc.), dos mais diversos períodos históricos, tradições religiosas e culturas. Consideram-se também trabalhos que proponham análises da força performativa de imagens e sobre a metodologia para interpretação da cultura visual contemporânea. O ST parte do pressuposto de que a atenção a esse aspecto da cultura é uma resposta ao avanço da “visualização” e “estetização” da cultura contemporânea, com a expansão dos mundos imagéticos para todas as áreas da vida, desde ao cotidiano até a ciência. O problema que o seminário propõe desenvolver é acerca de como a religião participa desse fenômeno, bem como das implicações que este tem para se pensar a religião na cultura contemporânea. Esse tipo de estudo tornou tema específico da investigação científica desde a década 90 do século passado, dando continuidade às intuições de Wittgenstein, Merleau-Ponty, Panofsky dentre outros, representando um campo de pesquisa que pode envolver estudos de textos sagrados e história da religião, bem como da relação entre cultura e religião a partir de diferentes formas de produção do olhar e da imagem, por exemplo, fotografias, filmes, pinturas, gravuras, artefatos e aspectos pictóricos de metáforas.

ST 03 – CAPITALISMO COMO RELIGIÃO

Renato Ortiz oferece uma boa impostação à proposta do ST Capitalismo como Reli­gião: “O mercado global contém duas qualidades freqüentemente associadas à herança religiosa: transcen­dência e onipresença. Sua globalidade transcende os indivíduos, as classes sociais e as nações, envolvendo a todos no seio de uma mesma integralidade. Seu domínio não conhece fronteiras, abarca o planeta por inteiro; homens, povos, natureza, a ele são submetidos. A universalidade do mercado, ou seja, sua extensão confere-lhe a dimensão de totalidade (e muitas vezes de totalitarismo). A transcendência é, contudo, sempre abstrata, algo latente; para se realizar ela deve manifestar-se no mundo, afirmar sua onipresença. A transcendência do mercado perpetua-se através do consumo, este é o ato que a situa, a singulariza, inserindo o indivíduo no seu ser… Entretanto, tais virtudes nada têm de “verdadeiras”, falta-lhes um fundamento ontológico, sagrado, por isso o mercado se apresenta como uma “falsa religião”, e sua adoração, uma “idolatria”. (Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 16, n. 47, 2001, p. 72). Deve o capitalismo atual ser propriamente pensado e analisado como uma religião? Se sim, que tipo de religião seria esta, que desafios teóricos coloca às ciências da religião, que desafios práticos propõe à política e à cidadania, que desafios pastorais apresenta às religiões. Se não, onde estariam as fronteiras, os limites, as pertinências de cada um? Este Seminário Temático está aberto para acolher contribuições que discutam e analisem as pretensões religiosas do capitalismo, sua produção e uso dos símbolos, a fusão dos horizontes da economia capitalista com as expectativas de felicidade e realização humana, a empatia da mercadoria com a esfera libidinal e do desejo, as experiências de transcendência ligadas ao consumo, sua linguagem e estética, etc. Por outro lado, também são bem-vindas contribuições que, desde abordagens econômicas, sociológicas, antropológicas, de gênero, psicológicas, teológicas, linguísticas e outras, analisem aspectos da transformação da religião pelo capitalismo ou da mutação da religião por sua conformação à lógica do mercado ou do capital.

ST 04 – CATOLICISMO NO BRASIL: PERMANÊNCIAS E RUPTURAS

O campo católico tem sido marcado constantemente por tensões entre agentes e instituições defensoras de práticas tradicionais e aqueles abertos às transformações mundanas. Este seminário temático tem como propósito reunir pesquisadores que tenham se dedicado ao estudo do catolicismo em suas diferentes formas de expressão e tendências no espaço público brasileiro, sobretudo quanto as diferentes formas de permanências e rupturas. Particularmente, quais os limites de influência e os espaços sociais que cabem à atuação católica na sociedade contemporânea? As possíveis respostas desta questão poderão ser observadas a partir das temáticas a serem discutidas neste seminário: poder e política; festas religiosas, devoções e peregrinações; meios de comunicação; pluralismo; gênero e sexualidade; salvação e magia; práticas terapêuticas e juventude.

ST 05 – PROTESTANTISMO E PENTECOSTALISMO

O campo religioso brasileiro tem apresentado tal dinamismo e capacidade de transformação que a especialização em seus diferentes sub-temas tem se tornado uma exigência nos últimos anos. O movimento pentecostal suscita várias leituras e interpretações. Ainda que seja impossível esgotar as possibilidades hermenêuticas desse quadrante do campo religioso, é do interesse dos pesquisadores a manutenção de uma legibilidade mínima do referido quadrante. Esse ST pretende manter-se como um fórum de agregação dos pesquisadores que pensam e produzem conhecimento sobre os protestantes e os pentecostais em suas diferentes vertentes, suas formas de inserção na realidade brasileira e, conseqüentemente, o complexo de temáticas relacionadas e correlatas. Neste sentido, esse grupo acolherá trabalhos e pesquisadores voltados para esse segmento religioso.

ST 06 – BUDISMOS E CONTEMPORANEIDADE: INTERFACES E PERSPECTIVAS

As pesquisas de âmbito acadêmico sobre budismo no Brasil vêm se desenvolvendo amplamente dentro das ciências da religião, através de perspectivas históricas, filosóficas, antropológicas, psicológicas, etc. O crescimento das salas de meditação em todo o Brasil, com diferentes práticas budistas, os seus reflexos no mundo contemporâneo e sua absorção pela cultura brasileira demonstram a importância de compreendermos melhor os contornos desta realidade. Esta seção de trabalho tem como objetivo desenvolver e apresentar trabalhos acadêmicos que aportem e valorizem as interfaces das pesquisas sobre budismo no Brasil, considerando suas relações com as ciências humanas, sociais e suas perspectivas dentro dos estudos da religião, reportando-se às tradições e linhagens do budismo enquanto manifestações religiosas e doutrinais. Contempla-se nesta seção as relações do budismo com: gênero, violência, filosofia ocidental, meio ambiente, corpo, laicidade, direitos humanos, diálogo inter-religioso, transnacionalização religiosa, etc. Os trabalhos aqui apresentados poderão versar sobre quaisquer das tradições budistas, desde o Theravada, passando pelas inúmeras vertentes do Mahayana, como o Budismo da Terra Pura, o Zen- Budismo, o Shingon, o Nichiren, o Budismo Chinês e Coreano, o Budismo Tibetano e outras correntes do largo espectro das tradições budista, desde que ancoradas nas múltiplas questões suscitadas pelo mundo contemporâneo.

ST 07 – RELIGIÕES E FILOSOFIAS DA ÍNDIA

A Sessão Temática “Religiões e Filosofias da Índia” tem por objetivo a investigação sistemática da pluralidade de tradições religiosas e filosóficas que se desenvolveram no subcontinente indiano ao longo de mais de quatro mil anos, bem como diálogos e repercussões destas tradições no âmbito ocidental. Tal investigação compreende, por um lado, (i) o estudo de práticas rituais e devocionais, narrativas mitológicas, sistemas de moralidade, manifestações artísticas e a produtividade epistemológica, crítica e reflexiva do pós-colonialismo indiano; (ii) e, por outro, a reflexão em torno dos princípios metafísicos, ontológicos, lógicos, éticos e estéticos que caracterizam a especulação filosófica, de caráter cognitivo e soteriológico, das principais escolas de pensamento, viz., Vedanta, Samkhya, Nyaya, Vaisesika, Yoga, Mimamsa, Jainismo, Budismo, Charvaka e Vyakarana e suas releituras. Dentre as fontes de investigação, destacam-se as narrativas originalmente escritas em sânscrito tais como (i) os Veda(s), Dharma- Sastras, Mahabharata e Ramayana, a literatura erótico-devocional, as fábulas do Pancatantra, as peças de teatro (natakas); (ii) e os Upanisads, sutras budistas e jainistas, e toda a literatura comentarial. Além destas, destacam-se, ainda, as fontes textuais modernas e contemporâneas de caráter sócio-antropológico, histórico e literário. Todos estes elementos integram o campo temático do grupo.

ST 08 – ESPIRITUALIDADES E RELIGIÕES NA CONTEMPORANEIDADE: DIÁLOGOS E INTERLOCUÇÕES

A sociedade contemporânea passa por um rápido processo de mudança, com fortes implicações no campo religioso. A secularização e o pluralismo religioso, longe de indicar o fim dos sistemas religiosos, parecem apontar para uma dinâmica nunca antes presenciada. A difusão e valorização das espiritualidades autônomas e as vivências cada vez mais centradas na subjetividade demonstram que o fenômeno é muito mais amplo do que aquele até então denominado por “mundo nova era”, pois afetam também as religiões hegemônicas. Esta Sessão Temática tem como objetivo acolher trabalhos que busquem compreender as características assumidas pela religião na sociedade contemporânea, levando-se em conta as especificidades regionais. Almeja lançar luz sobre as bricolagens e interlocuções feitas pelos novos modos de lidar com a espiritualidade e também as denominadas espiritualidades “não religiosas”. Pretende reunir tanto trabalhos que lidam com dados empíricos, como também aqueles que levantam questões teóricas pertinentes. Serão aceitas as comunicações frutos de pesquisa sobre as novas formas de espiritualidade, os novos movimentos religiosos e as transformações, arranjos, rearranjos, diálogos e interlocuções feitas no âmbito das religiões afro-brasileiras, do espiritismo e do cristianismo. Como pano de fundo emergem alguns desafios teóricos próprios da(s) Ciência(s) da(s) Religião(ões): Qual o estatuto da religião na contemporaneidade? Qual o sentido de “novo” e “velho” assumido no âmbito dessas novas espiritualidades? De que maneira os novos modos de lidar com a espiritualidade afetam as tradições religiosas hegemônicas? Como pensar esses “hibridismos” ou esses “sincretismos em movimento” sem engessá-los ou formatá-los em nossos construtos teóricos?

ST 09 – TRADIÇÕES RELIGIOSAS, ESPAÇO PÚBLICO E POLÍTICA

A movimentação dos religiosos em torno ao espaço público tem sido a tônica dos últimos anos no Brasil: evangélicos, católicos e umbandistas, dentre outros grupos religiosos, em maior ou menor grau, desenvolvem diversas formas de intervenção e de atuação junto ao espaço público e aos agentes políticos. Eles são sujeitos sociais que, em perspectiva plural, possuem diferenças entre si. Tais diferenças acabam por refletir no espaço público e nas agências políticas, o que afeta diretamente a problemática dos direitos humanos na sua relação com a religiosidade e a laicidade. Pergunta- se: De que forma as teologias presentes nessas manifestações religiosas embasam, ou não, as ações e presenças das religiosidades contemporâneas no espaço público e na forma como elas se relacionam com os agentes políticos que compõem o Congresso nacional e os órgãos de Estado?

ST 10 – GÊNERO E RELIGIÃO: TENDÊNCIAS E DEBATES

O objetivo desse seminário temático é o de propor discussões de pesquisas que envolvam a articulação entre gênero e religião, buscando analisar as implicações de gênero dos sistemas simbólico-religiosos que informam as/os fiéis e as instituições sociais de maneira geral. Essa análise se dará em perspectiva interdisciplinar, e o ST pretende reunir pesquisas em torno do eixo gênero e religião a partir de diversas áreas de conhecimento como a sociologia, a antropologia, a história, a teologia, a psicologia dentre outras. A religião é um importante sistema de sentido na conformação das subjetividades masculinas e femininas. Seu poder normatizador e regulador tem sido frequentemente discutido no âmbito dos estudos feministas. Por outro lado, as ortodoxias religiosas se deparam com a heterodoxia da vida cotidiana dos sujeitos religiosos, o que relativiza significativamente o poder regulador das instituições e dos sistemas de sentido religiosos. O ST acolherá propostas de comunicações que discutam aspectos teórico- metodológicos dos estudos de gênero e religião, bem como propostas que analisem os câmbios ou continuidades do discurso religioso acerca dos papéis sociais de sexo num contexto de redefinição das identidades de gênero. São bem-vindas propostas que articulem gênero e religião na discussão da violência, seja ela doméstica, urbana, nas instituições religiosas, nas relações de trabalho; na discussão da diversidade sexual; da bioética; da laicidade; da política dentre outros.

ST 11 – PSICOLOGIA DA RELIGIÃO

O ST sobre Psicologia da Religião objetiva ser um espaço amplo de reflexão sobre as pesquisas relativas ao fenômeno religioso no campo das Ciências da Religião e da Teologia desde as teorias da psicologia da religião. Portanto, o ST receberá aportes que visam discutir os modos de apropriação da religião pelos indivíduos e grupos sociais. Diferentes temas podem ser abordados, entre eles: os processos de subjetivação; religiosidade, espiritualidade e os sem religião na contemporaneidade; a relação entre religião e saúde; a questão do sentido da vida; transcendência; psicopatologia e religião; as pesquisas das neurociências sobre a psique e a fé humana; comportamento religioso e demais temas e métodos que estão sendo estudados na academia e que dizem respeito tanto ao fenômeno religioso quanto à teologia e às ciências da religião e à psicologia da religião.

ST 12 – CONSCIÊNCIA PLANETÁRIA, RELIGIÃO E ECOTEOLOGIA.

A sessão temática reunirá pesquisadores que desenvolvem reflexões teórico- práticas em torno de religião/religiosidade e cuidado com o planeta. Estuda-se até que ponto as distintas tradições religiosas colaboram para a expansão da consciência planetária e a superação do antropocentrismo moderno. No horizonte da teologia, apresentam-se estudos recentes que articulam a fé cristã com ecologia no âmbito da bíblia, da ética socioambiental, da sistemática e da espiritualidade. Os participantes devem se envolver na discussão de todos os temas (e não somente no momento de sua comunicação), de forma a promover a produção coletiva do conhecimento e estimular projetos e grupos de pesquisa. Esta ST começou no Congresso da ANPTECRE de 2011.

ST 13 0 RELIGIÃO, MÍSTICA E POÉTICA

Estudar as relações entre mística, religião e poesia em perspectiva interdisciplinar que se inserem nos esquadros dos Estudos Literários, das Ciências da Religião, da Teologia e da Filosofia. A ideia, portanto, é convidar diferentes campos do saber humano para o diálogo. Além disso, aproximar mística, religião e poesia é mergulhar em um universo investigativo que possibilita ampliar significativamente qualquer visão reducionista do ser humano. A mística, enquanto objeto de estudo, já despertou e ainda desperta o fascínio de não poucos estudiosos. Ao mesmo tempo, o termo “místico” é carregado de mal entendidos e ambiguidades, por conta do seu uso dentro e fora da esfera religiosa e também na perspectiva das várias ciências. Pesquisar poesia e mística é oferecer aos estudos de literatura a possibilidade de ampliar a visão reducionista do ser humano, à medida que seja superada a sua herança positivista, que impediu, quase completamente, a possibilidade de abertura à transcendência e ao mistério. A relação entre religião e variadas expressões artísticas já motivou debates muito expressivos, tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a literatura se apropriou, com extrema liberdade, de narrativas de textos sagrados, e com elas construiu verdadeiros tesouros literários. Finalmente, explorar e aprofundar discussões de fontes primárias, de produções teóricas atuais e de atuais discussões epistemológicas sobre religião, mística e poesia.

ST 14 – PAUL TILLICH

A ST Paul Tillich objetiva reunir pesquisadores interessados na obra do autor que lhe empresta o nome, assim como nas repercussões que ela alcança. Tillich é considerado um dos mais importantes teólogos do século XX, tendo contribuído especialmente na reflexão sobre a necessidade de se compreender a religião em interação com a cultura em geral. Nesse sentido, trata-se de uma abordagem que tematiza explicitamente a religião e simultaneamente se abre para o diálogo com diferentes disciplinas acadêmicas. Alguns exemplos de discussões multidisciplinares encontradas em sua teologia se referem às artes, à política, à psicologia, à história, às ciências em geral e, de modo particularmente importante, à filosofia. A ST pretende ser um espaço em que esta variedade temática presente na obra do próprio autor se mostre a partir de pesquisas contemporâneas que o tenham, total ou parcialmente, como referência. A constituição da ST representa um espaço que resgata uma história de debates e pesquisas que já congregava interessados anteriormente à fundação da ANPTECRE, mas possibilita que este processo se insira, com sua experiência já adquirida, no âmbito desta associação (Associação Paul Tillich do Brasil, que existe desde 1994), auxiliando no fortalecimento desta e na visibilidade que as pesquisas sobre Tillich merecem no campo dos estudos teológicos e de ciências da religião brasileiros. No terceiro congresso da ANPTECRE, foi oferecida uma sessão temática com o mesmo nome, na qual foram apresentadas 16 comunicações. Várias delas foram publicadas na revista Correlatio: https://www.metodista.br/revistas/revistas- ims/index.php/COR.

ST 15 – Ciências bíblicas: teoria e prática

A pesquisa sobre os textos e os ambientes do Antigo e Novo Testamento progrediu muito nos últimos anos, graças ao surgimento de novas tecnologias, às novas descobertas na arqueologia (incluindo manuscritos) e à incorporação de novos instrumentais a partir das ciências humanas. Tudo isto obrigou a pesquisa bíblica a abrir novos horizontes de análise e de interpretação, por vezes, modificando conceitos longamente sedimentados e aceitos. Esta sessão temática tem como objeto de interesse os vários aspectos das ciências bíblicas aplicadas aos textos “originais” em hebraico e grego: metodologia exegética; reconstrução do ambiente sócio-político-antropológico dos eventos e dos autores bíblicos; abordagens históricas, linguísticas, literáCrias e teológicas; tradução e interpretação da Bíblia Hebraica, da Septuaginta e do Novo Testamento grego.

ST 16 – TRADUÇÃO DA BÍBLIA NO BRASIL

Apesar da importância da tradução da Bíblia e da já considerável caminhada em tradução da Bíblia realizada entre nós, ainda são escassas as reflexões e a produção acadêmica sobre esse tema no Brasil. Assim, com esta Seção Temática buscamos atingir quatro objetivos: 1. Estimular a troca de experiências entre tradutores e tradutoras da Bíblia (do judaísmo e das diversas confissões cristãs) e a reflexão crítica sobre o ato da tradução da Bíblia bem como sobre as ferramentas impressas e eletrônicas utilizadas nesse trabalho; 2. Refletir conjuntamente sobre os desafios apresentados aos tradutores e tradutoras da Bíblia pelas novas configurações da história de Israel e da história da redação da Bíblia, especialmente a partir das novas proposições vindas da arqueologia nas últimas décadas; 3. Evidenciar a complexidade intercultural e inter-religiosa da tradução da Bíblia e discutir preconceitos, violências e outros problemas encontrados em algumas das traduções existentes, e 4. Analisar como dicionários e léxicos de línguas bíblicas tratam situações de palavras de tradução incerta ou tratam casos de palavras de acepção complexa que e as dificuldades interculturais geradas para o tradutor da Bíblia.

ST 17 – LEITURAS LIBERTADORAS (ANTI-IMPERIALISTAS E ANTICOLONIALISTAS) DA BÍBLIA

A Bíblia possui um alto poder revolucionário e, por conta disso, sua pesquisa e consequente leitura a partir de conceitos como anti-imperialismo e anticolonialismo são essenciais. As Sagradas Escrituras jamais poderiam ser vistas e/ou consideradas como um instrumento de alienação, subserviência ou violência do ser humano. Não há neutralidade na leitura e interpretação dos textos bíblicos. A partir de contextos, complexidades e contradições específicos de momentos históricos diferenciados, sobressai uma teologia bíblica que nasce desde baixo e provoca uma nova ordem sócio-política na qual os menores são sujeitos de sua própria história.

ST 18 – TEOLOGIA SISTEMÁTICA: QUESTÕES EMERGENTES

O grupo acolhe estudos que abordem os elementos próprios da teologia sistemática e sua articulação com a história da teologia e os novos horizontes epistemológicos que a desafiam no contexto atual em seus aspectos eclesiais, sociais, políticos, culturais e religiosos. Está aberto a acolher abordagens dos tratados e especificidades da teologia sistemática e suas relações com o todo do discurso teológico, na busca de fundamentos bíblicos e da Tradição e no lançar-se do fazer teológico na direção de dar respostas a questões emergentes da fé e da prática pastoral. Pretende abrir espaço para aprofundar especialmente temas de cunho antropológico, cristológico, soteriológico e escatológico, levando em conta sempre aquilo que já se construiu e se consolidou na teologia, mas também, na perspectiva de novas relações, de novos horizontes que provocam a inteligência da fé a um discurso autêntico, ousado e corajoso. O grupo está aberto ainda a acolher temas de outros tratados sistemáticos, tendo em vista a relação de Deus com o ser humano e a resposta que este dá ao chamado divino, trabalhando a inter-relação da teologia sistemática com outros saberes, que podem e devem auxiliar o labor teológico diante das novas circunstâncias do mundo atual, articulando a interação entre fé e vida.

ST 19 – TEOLOGIA(S) DA LIBERTAÇÃO – TDL

A Teologia da Libertação inaugurou na América Latina, num contexto propiciado pelo Vaticano II e pela Conferência de Medellín, nova maneira de pensar e fazer teologia, como nova práxis – novidade epistemológica e metodológica – saindo do centro clássico da teologia cristã dos últimos séculos, a Europa. Diante do desafio de “como ser cristão num mundo de miseráveis” essa teologia ganha o mundo e se mostra universal, provocando os pesquisadores da religião e até as outras tradições religiosas. Fala-se hoje em teologia intercontinental e planetária. A temática da libertação atravessa questões de gênero, das minorias e maiorias oprimidas e excluídas, do pluralismo religioso e cultural, da emergência de uma nova racionalidade e do desafio da modernidade tardia, de método teológico, das religiões e suas teologias, do cristianismo e suas formas eclesiais e a hermenêutica da mensagem cristã. Tudo isso desafia a TdL que ampliou sua presença na sociedade através dos Fóruns Sociais Mundiais. Essa sessão temática pretende abrir espaço para esse debate entre pesquisadores e interessados, especialmente sobre questões que articulam teologia, libertação e práticas/movimentos sociais, a defesa da dignidade eco humana, da justiça, dos direitos, da solidariedade e da resistência em defesa da vida, dos empobrecidos e de todos aqueles e aquelas que são oprimidos e excluídos das igrejas, religiões e sociedades.

ISSN

ISSN 2175-9685