Fisioterapia em Movimento
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Psicologia Argumento, v.23, n.41, 2005.

CASTRAÇÃO: UM TEMPO, UM LUGAR


Denise Costa Hausen
Neuza M. F. Guareschi

O trabalho versa sobre a atualidade do conceito de castração, proposto por Sigmund Freud quando da criação da Psicanálise, no início do século que recentemente findou. Passa por distintas concepções acerca da noção de tempo para após tomar como intercessores, temáticas da contemporaneidade - mais especialmente aquelas relacionadas à rapidez com que os conhecimentos são produzidos e transmitidos assinalando a instantaneidade e fluidez dessa transmissão Reporta-se, para tanto, ao conceito de Dromologia cunhado por Paul Virilio. Dialoga, dessa forma, com questões relacionadas aos tempos atuais em que se observam tentativas de fazer desaparecer as diferenças, quer sejam das gerações, dos sexos ou das hierarquias, postulando que a sociedade de aceleração demanda uma outra exigência enquanto metáfora da castração: que se normatize um tempo intensivo em que a espera seja desqualificada enquanto tempo de passagem do desejo à ação, ensejando que os corpos sejam obrigatoriamente usados. Tema que merece uma reflexão especialmente direcionada à alteridade, problemática em foco quando nos atemos às sociedades contemporâneas. Indaga, portanto, acerca de qual norma constitui o incestuoso e o que está no pressuposto da Lei.


Palavras-chave: Castração; Contemporaneidade; Psicanálise; Temporalidade; Sociedade de Aceleração


Castration: A Time, A Place


This paper is about the castration concept proposed by Sigmund Freud when creating Psychoanalysis in the beginning of last century. It goes through distinct conceptions of time for taking contemporary themes as intercessors after that, especially those themes related to the quickness in which knowledge is produced and transmitted pointing out the urgency and fluency of this transmission. The concept of Dromology, as created by Paul Virilio is revisited. At the same time, this paper dialogues with issues related to the actual times in which attempts of making differences disappear can be observed, being these differences between generations, genders or hierarchies, postulating that the society of acceleration demands another exaction while a metaphor for castration: that an intensive time be normatized in which the waiting is disqualified while a time of passing from desire to action, occasioning bodies that will be compulsorily used. This theme deserves a reflection especially directed to alterity, an important subject when we work with contemporary societies. It inquires therefore about which norm constitutes the incestuous itself and about what is presupposed in the Law.


Keywords: Castration; The Contemporary; Psychoanalysis; Temporality and Acceleration Society.



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